Amazonas pode ter sepultamentos em sacos plásticos

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Segundo a Abredif, governo federal negou um avião de carga para o transporte de 2 mil urnas para Manaus

Com a média de mais de 100 sepultamentos no mês de abril, Manaus poderá ser obrigada a sepultar as vítimas em sacos plásticos nas próximas semanas, devido o estoque baixo de caixões. Esta é a avaliação Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif). No último domingo (26), a capital amazonense registrou um total de 140 enterros.

De acordo com a Abredif, foi solicitado ao governo federal um avião de carga para o transporte de 2 mil urnas para a capital do Amazonas, porém a ajuda foi negada. “Eles negaram e ainda disseram que já deram todo suporte necessário, afirmaram dizendo que ‘já mandaram oito médicos e 55 respiradores’. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. É um pedido de dignidade de enterrar seu ente querido”, disse o presidente da Abredif, Lourival Panhozzi.

Corpos jogados em esquinas

Segundo Lourival Panhozzi, há a necessidade imediata de reforço no estoque e há ainda a possibilidade de chegar ao ponto de ter corpos jogados nas esquinas. “O transporte rodoviário demora dias e a necessidade é imediata”, afirma.

Manaus possui atualmente 350 urnas

Conforme informação do presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado do Amazonas, Manuel Viana, Manaus possui 350 urnas no estoque até esta quarta-feira (29). Entretanto, segundo ele, uma encomenda de até 2 mil urnas chegará até o próximo sábado, 9 de maio.

Com a quantidade de urnas que a capital amazonense tem, a demanda será suprida até esta quinta-feira (30), de acordo com Viana.

Manaus pode chegar perto do que está sendo vivido pelo Equador, conforme descreve Abredif. Após vídeos que mostram cadáveres pelas ruas de Guayaquil, no sudoeste do país, a cidade sofre com a falta de caixões. As vítimas são enterradas em caixas de papelão, desobedecendo normas sanitárias do governo.

‘Mercado negro dos caixões’

Uma recomendação do Sindicato das Empresas Funerárias do Estado do Amazonas e do Instituto Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-AM), é que as famílias exijam a nota fiscal dos caixões e que não aceitem propostas de pessoas que oferecem o produto nas portas de hospitais.

“Ajuda não foi negada”

O governo federal respondeu, por meio de sua assessoria, que não negou ajuda a Manaus. E que inclusive, entrou em contato com a prefeitura de Manaus, para saber qual a necessidade da capital e aguarda um retorno.

“A Secretaria Especial de Assuntos Federativos (SEAF) da Secretaria de Governo (SEGOV) enviou pedido de esclarecimento à capital amazonense nesta segunda-feira (27) para apurar a real necessidade do pedido de transporte aéreo, na medida que a demanda não foi apresentada à União pelo governo municipal”, explicou a nota.

A assessoria também ressaltou que ajudou com a entrega de 55 respiradores; 488.600 máscaras; 46.560 Testes Rápidos; e o envio de 29 profissionais da Força Nacional do SUS (8 médicos, 19 enfermeiros e 02 fisioterapeutas).

“SOS Funeral abastecido”

A Prefeitura de Manaus, informou por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), responsável pelo serviço SOS Funeral, que o estoque de urnas funerárias está abastecido para suprir o aumento de demanda de sepultamentos e que houve reforço na equipe de servidores para prestação do trabalho. “O município tranquiliza a população quanto a não capacidade de atendimento na atual situação de pandemia da Covid-19. Os serviços do SOS Funeral são destinados às pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica”.

Fonte: EMTEMPO

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