Artigo. Covid-19 expõe as desigualdades sociais no país

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Luciano Everton Costa Teles é Historiador e professor da UEA.

Antes do covid-19 as informações econômicas, sobretudo no campo da macroeconomia, reforçavam o equilíbrio fiscal, o superávit primário, o câmbio flexível e a meta da inflação. Estimava-se um pequeno crescimento do PIB, que seria potencializado pelas reformas que instituiriam o “Estado Mínimo” e, consequentemente o livre-mercado, em especial em áreas estratégicas da economia (privatizações das coisas públicas – empresas, etc.), na rede de proteção social (desmantelamento da previdência, dos programas sociais, etc.) e na regulação entre capital-trabalho (flexibilização da CLT).

Tais reformas são pró-mercado e visam atender aos agentes do capital. Interessante sublinhar que esse interesse particular, desses agentes, são veiculados (pelos meios de comunicação – por isso que muitos são donos ou cooptam os donos desses veículos) como sendo de interesse geral (e há quem incorpore isso mesmo não fazendo parte desse segmento social).
Nos grandes veículos de comunicação, a linguagem econômica alinhada à tais interesses reinava até surgir esse infeliz vírus. E o que vemos hoje é a emergência explícita das desigualdades sociais, em especial no Brasil.
Os trabalhadores informais representam 41,4% da população, segundo o IBGE. Não é pouco ! Ainda segundo o IBGE, os trabalhadores formais ganham em média 2.090 reais (o informal ganha em torno de 1.179 reais). Abaixo da linha da pobreza são 25,3% dos brasileiros. Resultado disso: moradias precárias e superlotadas, alimentação não adequada e ausência de saneamento básico, para ficarmos apenas nisso.

Estamos em tempos de coronavírus. As orientações médicas são de isolamento social e higiene, sobretudo lavar bem as mãos com sabão e utilizar álcool em gel. Porém, por força do que apontamos no parágrafo anterior, muitas moradias não tem água regular e muito menos condições de comprar sabão e álcool em gel. A fome é uma ameaça constante. Os noticiários, impressos e na televisão, estão cheios de matérias sobre esta questão, que agora se apresenta de forma explícita para parte dos brasileiros que ignorava ou fingia não ver essa enorme desigualdade social no país, aprofundado pelas reformas aprovadas recentemente por um governo que tirou os trabalhadores, os informais e os pobres da agenda.
O Brasil está entre as dez economias do mundo, mas a sua riqueza não é distribuída, e sim concentrada. Se olharmos a Forbes, vamos ver os nomes de quem concentra essa renda, e não estranhe se tais pessoas comporem a base de apoio deste governo.

O Estado precisa agir para evitar que a população mais vulnerável seja impactada de forma dramática. E, no futuro, que a distribuição de renda seja uma meta a alcançar. Os brasileiros merecem ser valorizados e ter qualidade de vida !

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