Doria se diz chocado com agressões, recua e promete revisar protocolo da PM

Após repercussão de mortes em Paraisópolis, tucano muda o tom de declarações

Dizendo-se chocado com vídeo de agressões em bailes funk, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recuou e afirmou nesta quinta-feira (5) que vai revisar os protocolos da Polícia Militar.

O governador afirmou que os casos de violência desproporcional praticada pelos policiais devem ser punidos. “Isso é incompatível com o respeito à corporação”, afirmou. “É uma circunstância inaceitável que a melhor polícia do Brasil utilize de violência ou de força desproporcional, sobretudo quando não não há nenhuma reação de agressão.”

A reação de Doria ocorre após uma semana de revelações de violência policial em bailes funk e protestos contra abusos. A mudança também se dá após o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), Sergio Moro, afirmar que houve falhas graves do caso —o ex-juiz já foi condecorado pelo governador com a mais alta honraria do estado.

Inicialmente, Doria havia afirmado que não mudaria o modo de agir da polícia. “A política de segurança pública não vai mudar. As ações na comunidade de Paraisópolis e em outras comunidades de São Paulo, seja por obediência da lei do silêncio, por busca e apreensão de drogas ou fruto de roubos, vão continuar. A existência de um fato não inibirá as ações de segurança. Não inibe a ação, mas exige apuração”, afirmou Doria em entrevista na segunda-feira (2)

Agora, o tucano adotou um tom totalmente diferente.

“Como governador do estado de São Paulo, eu não aceito que no estado onde, tendo sido eleito governador, esse tipo de procedimento exista. E não mais vai existir”, afirmou Doria, nesta quinta-feira (5), durante entrevista coletiva. “Ou pelo menos faremos tudo para que isso não aconteça. E revisar protocolos, revisar treinamentos e comandos para que nenhum policial militar aja dessa maneira”.

O tucano exemplificou com um caso de um policial que, com um pedaço de pau, atinge jovens. “Eu mesmo fiquei muito chocado quando vi as imagens que não eram de Paraisópolis agora, num outro momento, de outubro, onde um policial militar agredia jovens que estavam saindo, não sei se de uma sala ou de uma área, desnecessariamente, gratuitamente”, disse.

Doria recebeu manifestantes na noite de quarta-feira (4).

O grupo permaneceu cerca de duas horas no palácio. Na reunião, segundo a nota do governo, entre outros, estavam integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Dimitri Sales, o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Campos, e o líder comunitário de Paraisópolis, Gilson Rodrigues.

O grupo definiu que um novo encontro será realizado no Palácio dos Bandeirantes na próxima segunda-feira (9), com a presença do governador e de parentes das nove vítimas.

Fonte. Folha de SP
Foto. Regiane Soares / Folhapress


Redação Portal do Norte

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