Sateré Mawé se torna o primeiro da sua etnia a receber título de Mestre

Educação

Natural do município de Barreirinha, Josias defendeu tese de mestrado em Ciências Sociais pela UFAM, com o tema: A formação da liderança kapi entre os Sateré-Mawé

Josias Ferreira de Souza, 30, da Aldeia de Ponta Alegre – Rio Andirá, da etinia Sateré-Mawé da TI Andirá-Marau (AM), natural do município de Barreirinha-AM, cidade distante 512 quilômetros de Manaus (AM) é o primeiro filho da etnia a receber título de mestre. Josias defendeu tese no mestrado em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia, PPGSCA, da Universidade Federal do Amazonas UFAM. A pesquisa foi financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Josias defendeu a dissertação de Mestrado em 28 de novembro de 2019, com o tema: A formação da liderança kapi entre os Sateré-Mawé. Ele acredita que a dissertação reflete “a realidade do povo Sateré-Mawé, as mudanças que sofreram, as estratégias que construíram para defender seus direitos, de forma direta, como sujeito da ação, enquanto protagonista de sua própria história”.

Para o orientador professor Doutor Renan Albuquerque, a dissertação é importante porque “apresenta a história do ponto de vista dos Sateré-Mawé, e não do ponto de vista do não-indígena. A presença indígena nas universidades é uma realidade, hoje, definindo prioridades à linhas de pesquisa que atenda suas demandas”.

A coordenadora do PPGSCA/UFAM, Dr.ª Iraildes Caldas Torres trabalha a temática Sateré-Mawé há mais de dez anos. Ela ressalta que a defesa de mestrado do Josias representa um marco, porque depois de muita discriminação que os povos indígenas passaram nas acadêmicas, os indígenas dentro dela têm vez e voz, pois trabalham a suas histórias e processos étnicos.

Josias Sateré, é uma liderança jovem da linhagem da principal liderança tradicional do povo Sateré-Mawé, clã Sateré que conseguiu superar os desafios e integrar o rol de intelectuais indígenas do Brasil que desde o final década de 1980 começaram a ter visibilidade a partir do acesso a primeira instituição de ensino superior no país, criada há mais de 170 anos.

A trajetória acadêmica de Josias esteve relacionada com as políticas afirmativas para indígena, desde a graduação na Universidade do Estado do Amazonas UEA. Formado em Biologia UEA (2012), Pedagogia UEA (2014), Especialista em Gestão Educacional (2017). Ingressou em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia, PPGSCA, da Universidade Federal do Amazonas UFAM. A Federal do Amazonas reserva vagas para indígenas e negros nos seus programas de Pós-Graduação.

Filho de João Sateré, 64, clã Sateré (ut), atual, Capitão Geral do Povo Sateré-Mawé, que foi na década de 80 e 90 uma das principais lideranças responsável pela união entre os Sateré, Baré e Tucano, as três etnias que foram o embrião do movimento indígena da Amazônia Brasileira. Os filhos do guaraná com apenas trezentos anos de contato, sempre foram solidários aos parentes indígenas da Amazônia e do Brasil. A terra indígena Andirá-Marau onde estão localizados foi demarcado e homologado em 1986, possui 788.528 hectares, 477,77 de perímetro e uma população de 13 mil indígenas cercado de pura biodiversidade, de fauna e flora.

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