Campanha Ponte Segura mobiliza sociedade para a prevenção ao suicídio

Saúde

Redação / pautaportal@gmail.com

 

Desde a sua inauguração, em 2011, a ponte Jornalista Phelippe Daou – popularmente conhecida como Ponte Rio Negro, que já foi um ótimo lugar para fazer selfies e caminhadas passeio, se tornou um local para suicídios.

Foi pensando nisso que um grupo de médicos psiquiatras se reuniu para mobilizar a população na campanha Ponte Segura. O grupo composto por quatro médicos psiquiatras, e que existe desde 2016, idealizou o projeto neste mês de outubro e conta também com o apoio de psicólogos que atuam na ponte fazendo plantões voluntários  projeto Acolhedor, composto pelas psicólogas que tem atuação em escutas emergenciais e suicidologia Ketty Moreira e Elayne de Oliveira.

Dra Alessandra, uma das médicas da campanha, afirma que, somente este ano, 66 casos de suicídio foram registrados em Manaus, o equivalente a uma intercorrência a cada quatro dias. Há uma estimativa de que para cada caso registrado, haja pelo menos outros não notificados como suicídio, e para cada caso desses há provavelmente de 15 a 20 tentativas de suicídio.

Em ordem: Dra Silvana Nascimento; deputado Álvaro Campelo e Dra Alessandra Pereira

Ela também explica que o projeto foi iniciado durante uma conversa entre colegas psiquiatras. Eles notaram que a elevação do gradil lateral pode dificultar a ação dos suicidas.

Um dos meios eficazes de prevenção é a restrição ao acesso aos meios letais. Em Manaus, a ponte sobre o Rio Negro tem sido muito utilizada pelas pessoas em desesperança, na tentativa de tirar a própria vida, pois a grade é baixa e facilmente transposta. Várias ações têm sido empreendidas para evitar isso, mas nada será tão eficaz quanto a elevação do gradil lateral, que dificultará sobremaneira a precipitação daquela altura.

Sintomas de depressão – Dra Alessandra ainda elenca os principais indícios de que uma pessoa está depressiva e cita alguns aspectos psicológicos como a desvalia, o desamparo e a desesperança.

A depressão é essencialmente caracterizada por sintomas de perda da energia e do prazer, com prejuízo no funcionamento do indivíduo. Na verdade, em casos graves, a pessoa não consegue nem tomar banho ou comer, pois pode perder até a percepção do sabor dos alimentos. Tem alguns aspectos psicológicos muito importantes, que são a desvalia, quando o indivíduo se sente sem valor nenhum; o desamparo, quando a pessoa se sente sem apoio, incompreendido e sem amparo de amigos e família, mesmo que estejam todos ao seu lado; e, a desesperança, que é quando a pessoa acredita que seus problemas ou sua vida não tem mais solução. Quando existe esses 3 ‘Ds’, possivelmente podemos chegar ao 4o. D, de Desespero, quando num momento de impulso a pessoa pode intencionalmente para tirar a própria vida.

Reviravolta – Lerícia Dias, de 29 anos, foi diagnosticada com depressão, agorafogia e ansiedade. Embora ela já sentisse os sintomas em 2014, antes de ingressar na faculdade, foi somente no ano passado que ela buscou tratamento.

Eu não tinha ânimo pra nada. Passava o dia sem tomar banho, sem escovar os dentes e só passava o dia no quarto. Eu levantava somente pra ir ao banheiro e tomar água, mas achava que isso era uma fase. Ano passado foi o divisor de águas pra mim. Quis muito tirar minha vida, mas era covarde demais pra tentar algo. Eu estava desempregada, sem estudar, sem nenhuma ocupação.

A volta por cima veio em 2018, quando ela pediu ajuda dos seus pais. Após começar o tratamento com um psicólogo, Lerícia descobriu que a depressão foi causada por traumas muitos antigos.

Sofri abuso sexual quando criança e eu não tinha facilidade pra perdoar, por isso carreguei muitas mágoas. Foram dores desnecessárias que se acumularam ao longo dos anos. Fui filha de pais separados, perdi a guarda do meu filho. Todos esses motivos me puxaram mais para o fundo do poço. Então fui ao psiquiátra, ele me medicou e faço tratamento até hoje. Nem tudo são flores, ainda há dias difíceis, mas eu tenho muito mais qualidade de vida agora. Não tenho mais crises de choro e ansiedade não toma mais conta de mim. Por recomendação médica comecei a praticar exercícios, o que me ajuda muito. Também parei de beber e fumar, pra não atrapalhar meu tratamento.

Indicação – Em setembro, o deputado João Luiz (Republicanos) fez uma indicação ao Governo do Estado para a instalação de grades na ponte Jornalista Phelippe Daou.

O deputado destacou que a ponte tem de voltar a ser sinônimo de vida e de prosperidade e não o inverso. “É uma situação grave que precisa da nossa intervenção. E nós, da Frente Parlamentar Cristã, vamos unir forças para combater, de forma enérgica e precisa, para ajudar aos nossos jovens. Temos de mostrar às pessoas que elas não estão sozinhas e que podem contar com o nosso apoio”, ressaltou

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