Silêncio étnico. FAB continua buscas por avião com indígenas que caiu no Amapá

Silêncio étnico. FAB continua buscas por avião com indígenas que caiu no Amapá

Após 15 dias e 123 horas de voo, a Força Aérea Brasileira (FAB) continua as buscas pela aeronave de prefixo PT-RDZ, desaparecida no dia 2 de dezembro, no Amapá. A operação já que já percorreu mais de nove mil quilômetros quadrados, ainda não encontrou o monomotor que transportava uma família indígena Tiriyó que embarcou na Aldeia Mataware, no Parque do Tumucumaque, e estava a caminho do município de Laranjal do Jari. O acesso à aldeia só é possível por via aérea.

A escassez de notícias na ‘grande imprensa’ sobre o constante trabalho de buscas e ações de todos os envolvidos na solução do problema revela um status de invisibilidade midiática dos passageiros daquele voo, provavelmente relacionada às suas etnias (indígenas). Ao criticar a postura da mídia no tratamento dispensado à sequência cronológica do fato, a antropóloga Denise Fajardo, do Instituto Ipê, definiu como ‘silêncio étnico’ dos grandes veículos de comunicação, o discreto acompanhamento do caso.

“Não se fala sobre o assunto porque a vida dos indígenas não importa nesse momento. Vivemos um período anti-indígena e eles são considerados um obstáculo para o desenvolvimento do país. Podemos traçar paralelos até com os meninos perdidos em uma caverna na Tailândia, que teve mais a atenção da imprensa”, em entrevista ao site Olho nos Ruralistas, do Pará.

A cada dia ficam mais escassas as chances de encontrar passageiros com vida, principalmente por causa da falta de alimentos. As copas das árvores chegam a 30 metros de altura na região das buscas, o que dificulta a visualização de qualquer sinal da aeronave debaixo da vegetação.

Nas buscas a FAB emprega um helicóptero Super 60, “Black Hawk” (Falcão Negro), um SC-105 “Amazonas” e um Hércules C-130, que sobrevoam a floresta Amazônica daquela região, entre os estados do Pará e do Amapá.

De acordo com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o piloto chegou a entrar em contato com a central e relatou uma pane no sistema, que obrigaria a realização de um pouso forçado. Depois disso, não houve mais contato. Os radares identificaram o local onde teria ocorrido o pouso.

A Operação acontece sob coordenação do Salvaero de Manaus, seguindo “padrões internacionais de busca na área que compreende o ponto em que os radares identificaram a posição da aeronave desaparecida pela última vez e o local onde deveria ocorrer o pouso”, escreveu a FAB em comunicado.

Até a última sexta-feira (14), a Força Aérea Brasileira (FAB) tinha contabilizado 123 horas de voos nas buscas pelo monomotor desaparecido há mais de duas semanas, numa região entre o oeste do Pará e o sul do Amapá, contabilizando cobrindo uma área equivalente a mais de 9 mil campos de futebol, sem sucesso.

Relembrando
No fim da manhã do dia 2 de dezembro, um domingo, o monomotor prefixo PT-RDZ decolou de uma pista no município amapaense de Laranjal do Jari, cidade a 268 quilômetros de Macapá, tendo como destino a aldeia Mataware, no oeste do Pará. Inicialmente foi divulgado que o trajeto seria o contrário.

O avião teria sido locado por uma família indígenas que estava voltando de Macapá, onde tinha ido resolver problemas bancários. O acesso à aldeia só pode ser feito por embarcações ou aviões. Estariam a bordo 8 pessoas, incluindo duas crianças e o piloto. A maioria era indígena das etnias Tyrió e Akuriyó.

 

 

 

 

Fontes. Site selesnafes.com – Juliana Cézar Nunes – radioagencianacional.ebc.br
Fotos. Reprodução – JN Rede Globo – Site selesnafes.com


Redação Portal do Norte

Manaus, Amazonas, Amazônia, Brasil, Comunicação, Imprensa, Notícias..

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