Divergência com Bolsonaro derruba diretor do Inpe

Divergência com Bolsonaro derruba diretor do Inpe

Ricardo Galvão disse a jornalistas que sua permanência na direção do Instituto tornou-se “insustentável” diante do desgaste com o presidente, que chamou falsos os dados sobre a destruição da Amazônia

“Diante da maneira que eu me manifestei com relação ao presidente criou um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”, afirmou nesta sexta-feira Ricardo Magnus Osório Galvão, ao anunciar a decisão do Governo Bolsonaro de demiti-lo do cargo de diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A declaração foi feita a jornalistas após uma reunião de cerca de duas horas com o ministro de Ciências e Tecnologia, Marcos Pontes, em Brasília. O Governo confirmou a exoneração do diretor do órgão. Já o Inpe disse que não se manifestaria por enquanto.

A demissão ocorre após um longo processo de desgaste em torno das informações sobre o desmatamento das florestas brasileiras. O mais grave capítulo da crise foi aberto em 19 de julho, quando o presidente Jair Bolsonaro chamou de mentirosos os dados do Inpe que indicavam o aumento da destruição da Amazônia sob sua gestão, durante um café da manhã com jornalistas convidados (entre eles o EL PAÍS).

“Estou convencido de que os dados de desmatamento são mentira”, afirmou, dizendo ainda que o Instituto parecia agir “a serviço de uma ONG”. Seu ápice, entretanto, foi nesta quinta-feira, quando finalmente o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou a abertura de um processo de concorrência pública para contratar um serviço de medição da destruição da Amazônia.

O Inpe mede com satélites o desmatamento das florestas brasileiras desde 1988. Galvão, que é engenheiro e físico e trabalha desde 1970 no Instituto, reagiu com veemência desde às primeiras declarações de Bolsonaro e seus ministros questionando o trabalho do órgão. Respaldado por boa parte da comunidade científica, deu entrevistas a jornais e emissoras de televisão classificando como inaceitáveis as declarações do presidente e chamando-o de “covarde”.

“Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, de fazer uma declaração em público talvez esperando que peça demissão, mas eu não vou fazer isso”, afirmou Galvão ao jornal O Estado de S.Pauloem 20 de julho.  “Eu sou um senhor de 71 anos, membro da Academia Brasileira de Ciências, não vou aceitar uma ofensa desse tipo.

Ele que tenha coragem de, frente a frente, justificar o que ele está fazendo”, completou o engenheiro, cujo mandato na direção do Instituto duraria quatro anos. No dia seguinte, à Folha, negou que pediria demissão.  “Pode haver consequências para mim, ser demitido. Mas para o instituto não pode haver”.

O Governo, entretanto, manteve sua ofensiva para tentar minar a credibilidade do Instituto. O presidente pediu uma investigação para apurar a divulgação dos dados sobre a destruição da Amazônia, e já havia ameaçado demitir o diretor por quebra de “confiança”.

Já nesta quinta-feira, o Governo federal voltou a classificar os dados sobre o desmatamento da Amazônia de “falsos” e, em entrevista coletiva, o ministro Ricardo Salles anunciou a licitação para contratar “uma empresa, porque o Brasil requer um sistema de controle melhor”.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte. Mariana Novaes – brasil.elpais.com
Foto. Reprodução entrevista TV Globo


Redação Portal do Norte

Manaus, Amazonas, Amazônia, Brasil, Comunicação, Imprensa, Notícias..

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