Artigo. Os discursos dos candidatos

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Depois de um mês do início oficial da campanha eleitoral, é possível uma avaliação racional dos discursos dos 11 candidatos que estão disputando o cargo de prefeito do município de Manaus dentro de um contexto de pandemia, crise econômica e decepção política.

Manaus – A cidade de Manaus tem importância política e econômica. É metrópole regional, a sétima capital mais populosa do país. Detém a oitava posição entre os municípios brasileiros com a maior produção de riqueza do País e o primeiro da Região Norte, além de representar 78,97% do total da economia do Amazonas e possui um milhão e trezentos mil eleitores.

Influência local x nacional – Os resultados das eleições do município de Manaus, no período pós-ditadura militar, não tiveram grandes influências ou impactos dos mandatos presidenciais, embora o Brasil tenha sido governado por lideranças do PMDB (MDB), do PSDB, do PT e também por políticos sem definição partidária, como o ex-presidente Fernando Collor. Por outro lado, a eleição sempre teve muita influência dos grupos políticos locais e dos problemas apresentados.

Impacto da pandemia – A pandemia causou e vem causando mortes, isolamento social, crise nas atividades econômicas, colapso e ineficiência no sistema de saúde pública, aumento da taxa de desemprego e de pobreza, além de enormes prejuízos na pré-campanha e na campanha. Na pré-campanha, por exemplo, partidos e pré-candidatos deixaram de promover encontros, debates, entrevistas, visitas comunitárias e cursos de filiações partidárias para montar chapas de candidatos.

O cenário político atual – Nas eleições de 2018, o eleitorado surpreendeu a todos. Candidaturas sem experiências administrativas, sem recursos e iniciantes na política venceram; no último pleito, o município de Manaus deu votação expressiva a Wilson Lima, a David Almeida, a Plínio Valério, a José Ricardo e ao delegado Pablo. Eles usaram discursos de mudança e a favor do novo na política; parcela do eleitorado ainda está apática sobre as eleições devido a pandemia e decepções com os eleitos nas últimas eleições; agora, a ideia do novo na política sofre desgaste e o fator experiência volta a ser referência no debate político e a conquistar consciências.

Discursos dos candidatos – Amazonino Mendes (Podemos) – privilegia o discurso da experiência com realizações e com confiança, aproveitando a decepção de uma parcela do eleitorado com o desempenho do atual governador e o desgaste do discurso do novo na política; Davi Almeida (Avante) – segue na mesma linha do discurso da experiência e de realizações com a ideia de que tem saúde física para a missão; Ricardo Nicolau ( PSD ) -apresenta-se como um gestor experiente, homem sensível, corajoso e capaz de enfrentar uma pandemia para promover realizações; Zé Ricardo (PT) – escolheu o discurso de amparo aos excluídos da riqueza e das políticas públicas, pregando mudança numa cidade atingida duramente pela pandemia e tão desigual; Capitão Alberto Neto (PRP) e Coronel Menezes (Patriota ) apresentam-se como parceiros e defensores do governo e das ideias do presidente Jair Bolsonaro. Ambos com formação militar buscam ainda o discurso do novo na política; Alfredo Nascimento (PSDB) – traz o discurso da experiência e do social; os outros postulantes, Romero Reis, Vasconcelos, Chico Preto e Marcelo Amil estão reforçando os ideários dos seus partidos na administração local: o Liberalismo, o Conservador e o Socialismo.

Agora, diante da exposição do cenário político, econômico e de pandemia, além das baixas influências dos presidentes nas eleições do município de Manaus, é possível entender a aceitação eleitoral de determinados candidatos e dificuldades de outros.

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