Em ano Olímpico, Forças Armadas demite 50 atletas do Alto Rendimento

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Governo Bolsonaro demitiu 97 atletas e deve contratar apenas 47.

O governo do presidente Jair Bolsonaro frustrou as expectativas de ampliação do Programa Atletas de Alto-Rendimento (PAAR), em que as Forças Armadas contratam atletas de alto nível. Pelo contrário. Ao fim do primeiro ano de mandato do capitão reformado do Exército, 97 atletas não tiveram seus contratos renovados. Para o lugar deles, apenas 47 deverão ser contratados. Isso significa o fechamento de 50 vagas.

A redução vem principalmente da Aeronáutica, de acordo com números repassados pelo Ministério da Defesa ao Olhar Olímpico. Dos 147 atletas que a Força Aérea tinha sob contrato no ano passado, 47 tiveram seus contratos encerrados no final do ano. A Aeronáutica, porém, não tem previsão de repor nenhuma dessas vagas. Prejuízo principalmente para atletismo (sete atletas foram demitidos), basquete (cinco), vôlei de praia (cinco) e handebol.

Na Marinha a conta também é negativa, com o encerramento de contrato de 11 atletas e a abertura de sete vagas em reposição. No Exército, por outro lado, 39 atletas deixaram de ser militares, enquanto outras 40 vagas foram abertas. Os atletas ainda serão escolhidos, a partir de critérios estabelecidos em edital. A incorporação, no Exército, está prevista para o início de março. Os contratos são sempre anuais, mas renováveis por oito anos.

Na comparação entre 2019 e 2020, o total de beneficiados pelo Programa Atletas de Alto-Rendimento vai cair de 584 para 534 — uma redução de 8,6%. O número não considera os militares de carreira, que são cerca de 200 e se dedicam especialmente a esportes militares, como o pentatlo aeronáutico, hipismo e tiro esportivo.

Os cortes poderiam ser explicados pelo fim do ciclo dos Jogos Mundiais Militares, que são disputados a cada quatro anos. O programa, afinal, surgiu para reforçar a delegação do Brasil na edição de 2011, disputada em casa. No ano passado, em Wuhan, na China, o Brasil ganhou 88 medalhas (21 ouros, 31 pratas e 36 bronzes). Encerrada cada edição, e cada ciclo, é natural que o elenco seja renovado.

O Ministério da Defesa, porém, não informou se a medida já havia sido adotada em 2015, ao fim do último ciclo. Respondendo ao blog, a pasta apenas detalhou que o Exército não fechou vagas em 2016 – dispensou 35 atletas e contratou outros 35. Marinha e Força Aérea não informaram seus números.

O programa também sobre com corte de receitas. O orçamento enviado por Bolsonaro ao Congresso prevê um investimento de apenas R$ 600 mil para o treinamento de alto-rendimento no ano que vem. Nos últimos quatro anos, o Departamento de Desporto Militar (DDM) teve em média R$ 3,1 milhões ao ano para investir. Esse montante não está relacionado com a folha salarial dos atletas militares.

Na LOA enviada por Bolsonaro ao Congresso para 2020, são destinados apenas R$ 3,6 milhões para “desenvolvimento do desporto e do paradesporto nacional e militar”. Desse montante, R$ 3 milhões serão gastos para levar seleções brasileiras aos Mundiais Militares, restando R$ 600 mil para a preparação dos atletas militares, muitos deles possíveis integrantes do Time Brasil na Olimpíada.

Em 2019, pelo orçamento proposto por Michel Temer (MDB) e aprovado pelo Congresso, o DDM teve R$ 2,6 milhões para investir na preparação de atletas militares, o que inclui viagens, períodos de treinamento e compra de equipamentos. É dessas iniciativas que saem frutos para o esporte olímpico brasileiro como um todo – melhor preparados, os atletas militares entregam melhores resultados seja nos Jogos Militares, em um Mundial civil ou nos Jogos Pan-Americanos.

Fonte. UOL
Foto. Alan Santos – PR

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