Debate da reforma tributária apresenta riscos à Zona Franca, avalia Arthur Neto

No texto, o Prefeito da capital do Amazonas reitera que não se cansará de escrever sobre a necessidade imperiosa de se preservar a Zona Franca de Manaus, seja pelos benefícios econômicos e sociais que gera no Amazonas, na Amazônia Ocidental e em todos os Estados brasileiros, seja pelo seu peso internacional, por se tratar do mais robusto instrumento de atenuação dos efeitos do aquecimento global.

“A questão é simples. Ou o governo e os parlamentares aceitam a excepcionalidade e praticam essa aceitação, ou o modelo perecerá, com consequências profundamente danosas ao Brasil. A Organização Mundial do Comércio compreende isso bem. Falta a adesão de quem decide as coisas no Brasil. Falta a adesão dos setores ambientalistas, que lutam com denodo pela preservação da floresta, mas ainda não a ligaram à existência da Zona Franca”, destacou Virgílio.

Artigo
Não canso de escrever sobre a necessidade imperiosa de se preservar a Zona Franca de Manaus, seja pelos benefícios econômicos e sociais que gera no Amazonas, na Amazônia Ocidental e em todos os estados brasileiros, seja pelo seu peso internacional, por se tratar do mais robusto instrumento de atenuação dos efeitos do aquecimento global. A fase da reforma previdenciária passará e virá a seguir o debate sobre a reforma tributária, com o perigo de certas medidas poderem atingir em cheio o Polo Industrial de Manaus.

A questão é simples: ou o governo e os parlamentares aceitam a excepcionalidade… e praticam essa aceitação, ou o modelo perecerá, com consequências profundamente danosas ao Brasil. A Organização Mundial do Comércio compreende isso bem. Falta a adesão de quem decide as coisas no Brasil. Falta a adesão dos setores ambientalistas, que lutam com denodo pela preservação da floresta, mas ainda não a ligaram à existência da Zona Franca.

Ora, se o sul do Pará é exemplo de devastação, o território amazonense (especificamente o território amazonense) representa a manutenção de 97% de sua cobertura florestal. Explicação óbvia: na parte meridional do Pará, a opção que as pessoas encontraram para sobreviver, parte delas até prosperando, foi avançar sobre a floresta. E ainda houve incentivos externos perversos para isso, como é o caso, do fim dos anos setenta do século XX, de a Sudam ter financiado a Volkswagen no que seria um empreendimento pecuário e acabou dando num incêndio inútil, predatório, irresponsável.

No Amazonas os fatos se mostraram bem diferentes. O presidente Castelo Branco e o ministro Roberto Campos criaram a Zona Franca, com os seguintes objetivos: a) criar condições para o povoamento civil das fronteiras brasileiras; desenvolver uma região subdesenvolvida; c) diminuir as gritantes desigualdades regionais que são um espelho do nosso rico e injusto país. Rico, porque soube erigir áreas prósperas; injusto, porque nele reina ainda muita miséria, especialmente no Norte e no Nordeste.

A esses argumentos, juntou-se mais recentemente a variável ambiental, que todo ser humano inteligente precisa compreender sem mais perda de tempo. A Zona Franca sustenta a floresta amazônica amazonense de pé. O interesse sobre a Amazônia é planetário. O interesse de proteger, resgatar e fazer crescer o Polo sem chaminés de Manaus, deveria ser prioridade nacional.

Simples mesmo: se quiserem discutir mediocremente a relação custo do emprego versus valor dos subsídios, a Zona Franca morrerá, a população sobreviverá avançando sobre a floresta, a biodiversidade será destruída, o regime de chuvas se alterará no Brasil e em parte do mundo, nossos rios, que depositam 20% das águas dos oceanos, perderão peso e riquezas (a água será a commodity mais relevante de todas já na segunda metade deste século), enfrentaremos dificuldades diplomáticas seriíssimas e graves tensões militares nos colocarão em cheque.

Pensar em preservar a Amazônia e, ao mesmo tempo torcer o nariz para a Zona Franca é mero exercício de alienação e inutilidade. Novas matrizes econômicas devem ser incorporadas à economia amazonense? Claro que sim. Mas nenhuma delas chegaria a tempo de evitar a tragédia. Vejam este vídeo, que “fala” bem melhor do que consigo falar e escrever. Obrigado professor Antonio Nobre.
Link: https://web.facebook.com/ArthurVirgilioNetoAM/videos/vb.193453687358589/287554038582891/?type=2&theater

Até mais!

 

 

 

 

Fonte. Semcom
Foto. Alex Pazuello – Semcom


Redação Portal do Norte

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Manaus, Amazonas, Amazônia, Brasil, Comunicação, Imprensa, Notícias..
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