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Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado

Artigo. Crises na América do Sul

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Na América do Sul, região de negros e das manifestações afro-descentes, de povos indígenas, de povos descendentes da cor e da cultura europeia, da língua espanhola e da portuguesa, do peronismo, do lulismo, do bolsonarismo, do fujimorismo, do chavismo, da economia impulsionada pelo Estado e também pelo liberalismo econômico há um clima de angústia. Há um sentimento de cansaço. Há muita decepção e incertezas.

Nesse Continente tem muita desigualdade econômica, uma tradição autoritária, Estados falidos, privilégios de grupos, corrupção quase sistêmica, instituições públicas controladas por corporações, sistema político confuso e excludente, violência de Estado e do tráfico de drogas, péssimos e caros serviços públicos oferecidos, Países burocráticos e governos populistas.

No que tange ao Brasil, continua com alta taxa de desemprego, sem crescimento econômico, com um dos piores índices de desigualdades sociais e de violência. Desde 2013, o povo faz manifestações contra a corrupção, os privilégios e a ineficiência dos serviços públicos. Porém, as reformas políticas aprovadas só aumentaram os recursos públicos aos partidos e deram mais poderes aos caciques políticos; a reforma da previdência retira direitos da população de baixa renda e mantém privilégios de corporações civis e de militares.

Na Argentina, a maioria do povo sofre com a crise política e econômica. Nem o peronismo, que defende maior intervenção do Estado na economia, nem o liberalismo econômico que postula um Estado menor, deram respostas ao aumento da pobreza, da corrupção, do desemprego e da inflação. Crises econômicas e desgovernos levaram a Argentina a pedir empréstimos ao Fundo Monetário Internacional – FMI para pagar dívidas.

Manifestações acontecem também no Chile. País governado, nas últimas décadas, por governos socialistas e liberais. A desigualdade cresceu, os salários estão baixos, custos expressivos do transporte coletivo, classe média endividada, educação superior cara, sistema de previdência castiga os humildes. Promessas de liberais e de socialistas não saíram do papel, assim como a melhoria da economia e da segurança.

No Peru, o presidente dissolveu o Congresso Nacional. Impasses políticos e disputas pelo Poder geram crises institucionais. O Congresso está desgastado, o povo saiu em defesa do ato do presidente. Empresários e políticos estão envolvidos em escândalos de corrupção, um desdobramentos da Operação Lava. No último biênio cresceu a pobreza e o trabalho informal.

Milhões de venezuelanos deixam seu País em busca de melhoria. A pobreza avançou, a economia despencou, a inflação corrói os salários; as instituições do Estado, os partidos e os políticos estão sem credibilidade. A Venezuela está dividida por grupos que há décadas usam e controlam o Estado para aumentar privilégios, como é o caso dos militares, ou, melhorar seus negócios, deixando em segundo plano o povo humilde.

O Equador enfrenta grandes manifestações causadas pelo fim do subsídio ao preço do combustível, levando o presidente a decretar estado de exceção. Não faltam políticos envolvidos em crimes de corrupção; a desigualdade atinge principalmente os povos indígenas. O Paraguai também enfrenta uma crise política, denúncias de corrupção e o aumento de uma parcela da sociedade na miséria. Na Bolívia, as eleições são questionadas.

Vivemos numa América do Sul com inquietações e incertezas. Até quando?

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