Artigo. O 1° de Maio em tempo de Covid-19
Luciano Everton é Historiador

Artigo. O 1° de Maio em tempo de Covid-19

Luciano Everton Costa Teles é Historiador.

Aos trabalhadores do Brasil e do mundo, vamos à luta por melhores dias. Nesse caminho, a História pode contribuir de forma significativa para o entendimento do lugar social dos trabalhadores no mundo do capitalismo neoliberal.

O Primeiro de Maio surgiu como um dia de protesto contra as péssimas condições de trabalho a que os trabalhadores foram submetidos na “era do capital”.

No dia 1º de maio de 1886, uma parcela significativa de trabalhadores foi às ruas de Chicago (EUA) para protestar contra a exploração do trabalho, dentre elas a extensão da jornada de trabalho (uma média de 14 a 16 horas diárias). A principal luta era pelas 8 horas de trabalho.

A repressão ao movimento foi fortíssima, com prisões, pessoas feridas e mortes nos confrontos entre os operários e a polícia. Mortes! Luto!
Daí para frente, a data passou a ter um significado de luto e luta. Luto por aqueles que perderam a vida e luta pelas 8 horas de trabalho e melhores condições de vida.

Esse significado político da data, ao longo da década de 1930 e 1940, foi sendo esvaziado. O dia do trabalhador, dia de luto e luta, foi cedendo espaço para o dia do trabalho, este visto como elemento de regeneração, virtude – contra o ócio, e toda a construção social do vadio e da vadiagem (o não-trabalho) e riqueza.

No mundo do capitalismo neoliberal, o trabalho (e não o trabalhador!), contraditoriamente, foi perdendo espaço (no dia a dia e com a atuação dos grandes meios de comunicação) para o capital, a tal ponto de, por exemplo, o (des)governo atual falar que é o capital que produz riquezas.

Infelizmente veio essa pandemia e revelou o inverso: são os trabalhadores que produzem as riquezas de um país e, consequentemente, do mundo. O capital sozinho não produz nada ! O capitalismo ficou nu, como dizem alguns estudiosos.

O trabalhador produz as riquezas que são acumuladas por uma minoria que detém o capital, por meio da exploração do trabalho. A História e o significado político desta data precisam ser resgatados urgentemente e, quem sabe, no mundo pós-pandemia, os trabalhadores possam se organizar e lutar pela distribuição da riqueza que eles produzem.
VIVA OS TRABALHADORES!
VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!

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