A farsa revelada e a ficha caindo

LUCIANO EVERTON

Na “república de Curitiba” os atos de fingimento, de dissimulação e de falsidade estão se tornando explícitos. Em outras palavras, a hipocrisia está sendo revelada. Comecemos por Deltan Dallagnol. Este que se dizia lutar contra as prescrições das punições, elemento que para ele gerava impunidade, argumentou ao STF, no dia 17 de agosto, que a presumível punição dele (no processo do CNMP relacionado ao PowerPoint, em 2016) já estava prescrita. Ou seja, para Dallagnol a luta contra as prescrições das punições só vale ser defendida se for direcionada para seus adversários políticos (políticos porque está mais do que comprovado que a Lava Jato foi uma operação política). Para ele e seus iguais não, podendo até ser solicitada como um instrumento jurídico, como o fez ao STF.

Cabe sublinhar que, no dia 25 de agosto, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu arquivar o processo que tramitava no órgão a pedido da defesa do ex-presidente Lula e que pedia a punição de três procuradores, dentre eles Dallagnol, em função daquela apresentação, sem base jurídica e ridícula, do PowerPoint em 2016 e relacionada ao caso do tríplex do Guarujá.

Com relação ao ex-juiz Sérgio Moro, depois das revelações do The Intercept – que apontaram que ele orientava as ações da força tarefa, dando conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, selecionando inclusive quem investigar e quem não investigar (para não melindrar), enquanto sorria ao lado de Aécio Neves numa foto que viralizou –, ficou evidente a sua ação parcial nos processos em que julgou. Ação política ao lado de Dallagnol e outros procuradores.

Também no dia 25 de agosto, o STF, através da sua 2º turma, decidiu anular a sentença dada por Moro e que condenou o doleiro Paulo Roberto Krug no caso Banestado. O STF considerou que Moro foi, olha só, parcial! O que dizer, então, dele ter tirado o favorito das eleições de 2018 (o ex-presidente Lula) no sentido de abrir caminho para o atual presidente e ainda se tornar Ministro da Justiça de quem ajudou a eleger? Quer mais parcialidade que isso!

Nessa mesma semana, a âncora do SBT Brasil, Rachel Sheherazade, afirmou publicamente, em uma live realizada no dia 24 deste mês, que a Lava Jato perseguiu o ex-presidente Lula para impedi-lo de ser candidato nas eleições de 2018. Alguns dizem que isso é produto de uma autocrítica.

Sendo autocrítica ou não, a ficha está caindo para algumas pessoas. Junto com isso, a farsa está igualmente sendo revelada.


Luciano Everton

Luciano Everton

Luciano Everton Costa Teles é Historiador
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Luciano Everton Costa Teles é Historiador

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