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Luciano Everton Costa Teles é Historiador.

Que fanatismo é este?

LUCIANO EVERTON

Há pessoas, brasileiros, que têm a convicção de que o nosso país está caminhando no rumo certo, mesmo que:

O desemprego esteja nas alturas;

As pequenas e médias empresas estejam fechando as suas portas;

A fome e a miséria ameacem uma parcela significativa de brasileiros;

A precarização do trabalho seja a tônica nos últimos tempos, especialmente de 2016 para cá;

As desigualdades sociais só aumentem;

O desmatamento na Amazônia bata recorde atrás de recorde;

As populações indígenas recebam pressões, ameaças e até mesmo balas em função do desejo de grupos econômicos invadirem os seus territórios;

Os afrodescendentes sofram toda sorte de racismos;

As desigualdades e a violência de gênero se amplifiquem;

A cultura seja dilacerada;

A educação pública em todos os níveis sofra ataques e desmontes;

O patrimônio nacional seja vendido e saqueado;

Haja uma negação da ciência;

Em plena pandemia a “autoridade máxima do país” tenha agido contra o isolamento social, as máscaras e as vacinas, em outros termos, tenha operacionalizado a propagação do vírus;

O auxílio emergencial tenha sido pífio;

A carne e demais gêneros de primeira necessidade caminhem nas alturas;

Os preços dos combustíveis sejam astronômicos;

Inúmeros atos de corrupção – rachadinhas, superfaturamentos de produtos, orçamento paralelo, lobby da cloroquina, etc. – ocorram;

A liberdade de pensamento seja criminalizada;Rahadinha,

O Brasil tenha perdido mais de 480 mil vidas.

Mesmo diante de tudo isso, e não é pouca coisa, há pessoas que continuam gritando mito, fazendo aglomerações e bradando: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Que fanatismo é este?

Enfim, fanatismo, em linhas gerais e grosso modo, é uma condição de estado psíquico criado por motivações, neste caso política e religiosa, na qual exasperam irracionalidades e emoções excessivas em torno de algo. Duas de suas características são a cegueira e o delírio.

Nesse sentido, quem é acometido disso não consegue enxergar aspectos concretos da realidade. Esta situação somada ao delírio, que é uma psicopatologia em que a pessoa pauta as suas ações no mundo a partir de “falsas conclusões” elaboradas da realidade que a cerca, constitui-se em combinação perigosa, sobretudo porque tais “falsas conclusões” não se modificam, mesmo que se prove o contrário. Ou seja, a pessoa acredita em coisas/causas que parecem reais, mas na realidade são inexistentes (nesse quadro podemos entender o uso das fake news, especialmente para causar efeitos de comportamento).

Desse modo, existe uma parcela da população brasileira cega e delirante, que precisa sair dessa condição urgentemente.

O remédio para isso: educação, história, memória e muita democracia.


Luciano Everton

Luciano Everton Costa Teles é Historiador

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