Artigo: Cárcere do homem

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Há muito tempo, em um distante Império, um governante recebeu do “céu” um mandato para governar sobre toda a terra. Não tinha sido escolhido por uma votação, mas por seu merecimento como pessoa. O “céu” o havia escolhido para governar tudo, em benefício de todos. Sua autoridade celestial, legítima, universal, e fonte do mandato, o obrigava a disseminar a justiça, a paz e a harmonia para todos os habitantes. A natureza do seu mandato excluía adversários, ele representava a unicidade de pensamento e de ações, diante de sua autoridade não havia nenhuma independência, nem de indivíduo e nem de Estado. A fragmentação política, a pluralidade de pensamento, a diversidade de religiões e as mais íntimas particularidades pessoais eram encaradas como contraposições à sua autoridade, à limpidez de seu mandato e vistas como mensageiros do caos e da injustiça.

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